SÃO TANTOS 500! VOZES DA POSSÍVEL NA(RRA)ÇÃO

 

Daniela Luciana da Silva - UFBA

 

Mas está havendo uma tomada de consciência, digamos assim, do fato de ser relegado. Porque os negros não fazem parte da nação brasileira, isso é outra coisa.

 

Milton Santos

 

Por que há o direito ao grito.

Então eu grito.

Grito puro e sem pedir esmola.

 

Clarice Lispector

 

São tantos 500!

 

 

A emergência de imagens e narrativas acerca do Brasil e do que é ser brasileiro, no período anterior e posterior ao 22 de abril de 2000, pôde ser nítida e exaustivamente, detectada em todos os meios de comunicação de massa no país. Fazer referência direta aos 500 anos, ao que é o Brasil hoje, ao que nos representa, à formação do povo brasileiro, foi recorrente em veículos impressos de circulação nacional e estadual, tanto em textos jornalísticos como em publicidade. Do mesmo modo, na Internet e nas grandes emissoras de televisão, com destaque para a Rede Globo. O governo brasileiro e, especialmente, o governo baiano veicularam de forma abundante material publicitário em que se distinguia a idéia de comemorar. Assim como setores da iniciativa privada foram parceiros de setores governamentais, co-financiando ou organizando projetos culturais que incluíram os desfiles de escolas de samba do Rio e São Paulo, o Carnaval 2000 na Bahia – intitulado dos 500 anos – exposições de arte, documentários, shows, entre outros eventos.

Comemorar ou não comemorar? Comemorar o quê? Essas questões foram sendo discutidas e em alguns casos materializadas, de acordo com quem emitia a fala. Os governos da Bahia e do Brasil, juntamente com a Rede Globo, podem ser considerados exemplos bem visíveis das vozes comemorativas, tanto pelo posicionamento quanto pelo conteúdo veiculado a partir da premissa de comemorar. Os veículos jornalísticos, além de trazerem a publicidade “comemorativa”, proveniente dos mais variados setores, promoviam o debate a partir desse questionamento que, nos dias mais próximos à data, foi se tornando repetitivo, especialmente no Jornal do Brasil e Folha de São Paulo.

Outros setores, como os movimentos negros e indígenas, MST e Hip-Hop, os sindicatos e o movimento estudantil, de forma reativa e/ou interativa, trabalharam e trabalham suas narrativas para se contrapor ao discurso oficial das comemorações. Essas instâncias reuniram-se, com maior ou menor participação e adesão, sob a denominação Outros 500, e juntas produziram cartazes, folhetos, encontros, debates, culminando com a participação na interceptada Marcha Indígena, dispersada a gás lacrimogêneo e balas de borracha, em 22 de abril de 2000, em Coroa Vermelha.

Os objetivos podem ser diferentes, mas esses tantos segmentos falando, constituindo-se como marcos da necessidade de se posicionar, ou simplesmente colocar sua voz no palco das narrativas de nação, podem dar a dimensão da guerra de narrativas acontecendo no campo simbólico. Pode-se dizer, nesse contexto, que “A nação é uma comunidade de fala (...) remetendo constantemente para a relação com a potência política” (LECA:1998). Essas vozes, estabelecendo diálogos entre si, produzem e reproduzem discursos para ocupar posições nas batalhas por lugares do imaginário, reconfiguram o universo simbólico da nossa possível nação. As diversas projeções, imagens e etnias que compõem as narrativas de Brasil, com diferentes fins. Tantos 500 anos!

 

Rap: uma contra-narrativa de Brasil

 

O Brasil me estimula a atirar no gerente

Aqui não é novela, não tem amor na tela

Facção Central

 

Dessas tantas vozes que buscam espaço na nossa na(rra)ção, destacarei os poetas urbanos, produtores de relatos de um Brasil em que o presidiário ou ex-presidiário, o jovem perigandoentrar para a marginalidade, a violência policial, o machismo, o tráfico e uso de drogas, a miséria, a fome são o pano de fundo, de frente, das margens e do centro. Meu foco é a contra-narrativa dos grupos de Rap brasileiros. Eles não usam os elementos recorrentes nas comemorações dos 500 anos, aqui não tem índio, não tem português, não tem padre, o Cristo aqui não é católico, ninguém fala em Porto Seguro. O Brasil do Rap guarda muitas diferenças em relação ao país amplamente veiculado nos discursos mais audíveis, detentores de espaços mass-midiáticos, como alguns governos e a Rede Globo.

O Rap (rythm and poetry) é um elemento de expressão musical integrante do Hip-Hop, movimento formado também pela expressão visual, através do graffite e da expressão corporal atravésdas danças break, smurf dance, street dance. Alguns hip-hoppers consideram ainda o DJ (Disk-Jockey) –a pessoa que comanda os equipamentos de som, cria a melodia do rap, executa a base sonora para que se cante a letra – como um quarto elemento. O Rap com DJ e MC (Mestre de Cerimônias) – uma pessoa que canta a letra – foi feito pela primeira vez nos Estados Unidos, nas comunidades afroamericanas, entre o final dos anos 60 e o início dos 70, período dos mais favoráveis para o protesto. Cenário em que circulavam as imagens e discursos de Martim Luther King, Malcolm X, Black Panthers, junto com milhares de negros americanos que estavam, e estão, lutando por seus direitos.

No Brasil, expressão musical Rap chega nos anos 80, com o fim da ditadura militar, e ganha maior força após o impeachment de Collor, fazendo parte das vozes e narrativas até então sufocadas, especialmente as que buscam um lugar mais digno para o afrodescendente brasileiro. O ritmo & poesia pode ser considerado como um legítimo exemplar daquilo que Eneida Leal desenvolve como a “pós-modernidade radical do Brasil”, especialmente quando a autora trata das polêmicas em torno da antropofagia oswaldiana, e questiona: “a não originalidade (sua natureza de reciclagem, reaproveitamento, repetição diferenciada), e o reformismo – não são exatamente o seu valor, em nossa perspectiva contemporânea e pós-moderna?”. Sendo um movimento artístico nascido nos Estados Unidos, e agora acontecendo no Brasil, o estilo musical confirma nossa propensão – e competência – para re-ler e re-organizar o que é estrangeiro. E nem tão estrangeiro assim, pois podemos colocar o Rap como expressão comum a muitos dos países onde se deu a diáspora africana, o que pode-se considerar o caso do nosso (SANSONE:1995). O que podemos detectar ao observar o discurso e o grupo étnico de quem faz Rap no Brasil, com raríssimas exceções. No entanto, não pretendo, sob pretexto de legitimá-lo, enclausurar o Rap nesses lugares de pertencimento, mas trabalhar para que se mostre como uma narrativa de Brasil ao longo desse texto.

João José Reis, historiador baiano, em entrevista a Sylvia Colombo, para a Folha de São Paulo, em 24/04/2000, diz:

 

Um dos negócios da comemoração dos 500 anos é enfatizar a imagem de um país que, porque é miscigenado, não tem clivagens raciais. Quando os negros celebram suas tradições culturais não estão exatamente se posicionando contra a massificação globalizante, mas contra o racismo doméstico. Usam também para tal fim informações facilitadas pela globalização, o caso do reggae na Bahia e no Maranhão e o do Rap em São Paulo e no Rio.

 

O ponto de convergência dessa produção musical, aqui e nos lugares onde também se divisa a diáspora africana, é a questão étnica. Especialmente no Rap, o afrodescendente é o narrador, é o personagem, ali está sua ótica, seu espaço, seus medos e desejos, sua revolta, sua necessidade de se integrar à na(rra)ção Brasil ao seu modo, demarcando o seu lugar, que não é aquele historicamente indicado, mas o que vai se estabelecendo diariamente, nas vitórias do cotidiano de quem, parafraseando os Racionais MC's, sobrevive no inferno.

Embora se inspire e reproduza alguns traços dos afroamericanos, processo facilitado na globalização e “Idade Mídia”[1], o rapper deste lado do Atlântico incorpora ao seu trabalho características locais. Bandas e grupos de Rap, como Faces do Subúrbio (Recife - PE), e Quilombo Vivo (BA), têm utilizado elementos musicais como embolada, repente, ou mesmo samplers – parte de música “colada” na outra – do Ilê Ayiê e do Olodum, numa intertextualidade explícita. Outros, com bases musicais similares às afroamericanas, fazem letras que são resultado de experiências ultra-locais, como os Racionais MC's (SP) , MV Bill (RJ) e os baianos da Elemento X. Esses últimos, por exemplo, escreveram um Rap sobre um desabamento em um determinado morro de Salvador na época de chuvas. Vivências extremamente localizadas, conseguem expressar com propriedade uma realidade urbana brasileira. Como é possível? A resposta pode estar num Rap dos Racionais: “periferia é periferia em qualquer lugar”.

Existem diversas histórias que são simplesmente ocultadas, por um ou outro motivo, das narrativas oficiais (LAVILLE:1999). Parece bastante plausível dizer que o Rap, enquanto uma narrativa de grupos socialmente excluídos, racialmente inferiorizados de forma recorrente no processo histórico brasileiro, está repleto de signos de uma linguagem própria – as gírias, expressões típicas da periferia urbana, com espaço também para as variações regionais, possibilitando que algumas “histórias ocultas” apareçam.

O que é cantado/contado? Relatos sobre tráfico de drogas, crime organizado, garotos de 16 anos morrendo e matando, um rapaz assassinado na porta de um bar, uma família expulsa da própria casa após chuvas, um rapaz que era um “preto tipo A” e a droga transformou em “neguinho”. O que muitos relatos desses trazem é a proximidade, a intimidade com aquele cotidiano. As histórias contadas são as que se ouvem “na quebrada”, “na área”, ou o que acontece freqüentemente com o próprio autor: violência policial, discriminação, marginalização, pobreza, falta de opções. O diferencial é o uso da primeira pessoa do singular ou do plural, do “eu”, do “você”, do “nós”, da expressão “mano”.

Num plano mais geral, os pernambucanos Faces do Subúrbio, no Rap Pra criticar, deixam entrever como estão falando do Brasil: “Pare e entenda as letras dos compositores brasileiros./ O que eles falam na música desse país fuleiro./ E quem faz a fuleiragem não é o país./ São esses magnatas que dizem fazer o povo feliz./ Quem faz RAP, esta é sua deixa./ Que nas palavras cantadas eles mostram suas queixas.”É interessante apontar para o uso da expressão “país”, e não “nação”. Não é algo isolado. Num filme em que participam esses mesmos pernambucanos e os paulistas Racionais MC's, Mano Brown, um dos vocalistas do grupo de São Paulo, fala: “O Brasil vai demorar mais 500 anos para ser uma nação”. Os rappers percebem que não fazem parte de uma nação, mas querem alterar isso; parafraseando Milton Santos, estão parando de sorrir e começando a ranger os dentes[2].

A atuação contínua, e espontânea, não é estimulada, como foram as oficiais “comemorações”. Em 1993, sete anos antes dos 500, os Racionais MC's davam o seguinte título a um CD: Raio X do Brasil. A metáfora é interessante e, além disso, funciona, pois eles trazem nas letras o que não é visto, normalmente, no conjunto de imagens apresentadas como nação por grande parte da mídia e setores governamentais. Por exemplo, eles contam um fim de semana na comunidade em que vivem, próxima a uma outra de poder aquisitivo bem mais alto, e descrevem os confortos dos quais estão excluídos: o Brasil da novela, da publicidade, com carro, sorvete, piscina quente. Num momento o vocalista canta: “Olha só aquele clube, que da hora.... Olha o pretinho vendo tudo do lado de fora”.Do que eles falam? Eles gritam algo semelhante ao que diz o Doutor Milton Santos: “o negro não faz parte da nação brasileira”[3]. A partir das considerações de Renan, propondo que “no interior de um contrato social revisitado” haja uma osmose entre nação e cidadania, Catherine Wenden discute nacionalidade e cidadania (WENDEN: 1998) onde podemos depreender a validade do que dizem os rappers e também Milton Santos. Levando em conta este conceito, e o trecho do rap acima, podemos dizer que o negro efetivamente faz parte da nação brasileira?

 

O impacto reconfigurador do Rap sobre identidades afrodescendentes

 

“Cada comunidade quer ver a sua própria história contada”, segundo Christian Laville. O Rap, gestado nas periferias das grandes cidades, para essas mesmas periferias, traz seu relato cru, vivo, pulsante, é freqüentemente duro, e muitas vezes funciona como reescrita, releitura, da imagem romantizada de pobreza presente em muitas canções brasileiras. Aqui, não ouviremos nada como a melancolia existente nos versos “É gente humilde, que vontade de chorar...” Nasce de setores subalternizados, sem ser submisso. Reclama, sem se lamentar. Grita suas dificuldades, mas não pede esmola, não abaixa o olhar, não curva a espinha, luta para não se vender e terminar banalizado como outros segmentos de música originados de comunidades pobres.

Fatos vividos ou observados são integrantes dos relatos, que trazem força poética e agressividade. Nos momentos mais felizes, a poesia mais crua pode ser também bela: “Tô cansado dessa p****, de toda essa bobagem, alcoolismo, vingança, treta, malandragem, mães angustiadas, filhos problemáticos, famílias destruídas, fins de semana trágicos... o sistema quer isso”, parte de um rap dos Racionais MC’s. A idéia é contrariar, contrapor-se. Se isso é o que se espera deles, querem surpreender com um outro comportamento. A releitura das imagens e estereótipos decorrentes do racismo, as rasuras impostas, permitem insuflar quebras de estereótipos sobre alcoolismo, pobreza, inferioridade intelectual, marginalidade, incapacidade, e outras idéias que foram coladas aos negros ao longo da história do Brasil.

Toda essa carga afirmativa encontra um público ávido, necessitado, que canta, vai ao show, veste camisetas com os rostos de rapazes negros de vários lugares do Brasil. Tive oportunidade de estar no interior da Bahia recentemente, e vi as mesmas camisas em Itabuna e Canavieiras, as mesmas que estão no Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre. Este uso de um visual identificável como “do rap” se constitui também em discurso. Sobre o vestuário, diz Renata Pitombo: “na contemporaneidade, a sua força e riqueza estão situados numa esfera mais ampla, em que inclusive, o caráter distintivo é tecido: sua dimensão simbólica” (PITOMBO:1995). Esses rapazes e moças – estas, em menor número – estão falando com o corpo, afirmativamente, mensagens do tipo: “o ser humano é descartável no Brasil, como modess usado e bombril”, efetuando assim, com sua presença nas ruas, um reiteração do discurso rapper.

O rap é uma narrativa que visa romper com o padrão de fala dominante, em vários sentidos. No entanto, está em alguns veículos de comunicação de massa. As relações daí decorrentes são complexas, pelas próprias características do discurso que se veicula através da música, sendo constantemente negociada de acordo com cada grupo. O mais famoso deles se recusa a aparecer na Rede Globo, por exemplo, embora o DJ do grupo apresente um programa na MTV Brasil. Eles são parte integrante deste mesmo sistema que contestam, e tentam usá-lo de acordo com seus interesses e ideais. As negociações com a mídia podem ser inseridas nesse contexto.

Voz perturbadora da ordem social e política, o discurso do rap é colocado por seus produtores como capaz de insuflar uma revolta popular. Mano Brown, um dos Racionais MC’s diz: “Eu não sou artista. Artista faz arte, eu faço arma. Sou terrorista”. Para quem são essas armas? Para a periferia negra brasileira. “O Rap tem modificado a consciência e o comportamento dos diversos jovens negros, que aprenderam a trabalhar sua auto-estima, reconheceram o valor da escolarização e ainda conseguiram fugir do mundo da violência e das drogas.” (ANDRADE:1997). Até bem pouco tempo, havia ainda menos espaço no mass-media para estas pessoas, mas a visibilidade do rap e de seu universo tem conseguido efeitos sobre esses, e outros, “fabricantes”, “receptadores” e “usuários” do armamento simbólico. Construção da auto-estima, reforço da identidade como preto, negro, afrobrasileiro (para ilustrar os vários termos usados nas letras), são balas da arma-protesto.

 

Rasgando a tela do cinema, da MTV, a página de jornal...

 

 

“O Rap do Pequeno Príncipe contra as Almas Sebosas”, o já tão falado filme da nova cinematografia nacional, está para o cinema brasileiro recente assim como o CD “Sobrevivendo no Inferno”, do grupo de Rap paulistano Racionais MCs, está para a música jovem do país.

Contundente, seco e estiloso, o documentário de Paulo Caldas (co-diretor de “Baile Perfumado”) e Marcelo Luna narra capítulos do Brasil que certamente não integram a lista de histórias a serem contadas nas comemorações dos 500 anos.

 

Lúcio Ribeiro. Folha de São Paulo: Ilustrada, 03/04/2000

 

Por que será que as duas sessões programadas para exibição do “Rap do Pequeno Príncipe contra as Almas Sebosas”, tendo como um dos personagens principais Garnisé, da banda Faces do Subúrbio, estiveram lotadas no festival de cinema brasiliense? Os ingressos, segundo um jornal especializado, estavam esgotados horas antes, e o debate que se seguiu teve o maior público registrado no II Festival Internacional de Cinema de Brasília.

Não era por que a platéia fosse formada exclusivamente por fãs do rap, embora a cena de Brasília seja forte, com nomes de porte nacional como Câmbio Negro e Gog. Talvez seja porque este Brasil, relatado pelos jovens negros da periferia, interessa a outros jovens negros, ou quase-brancos, e até brancos, de várias classes e lugares. Essa música ecoa nos imaginários também dos que não moram nas favelas, morros, mangues e palafitas. Se ouvir o rap já é uma experiência, ver o cenário é, no mínimo, instigante, atendendo aos anseios, ou curiosidade, de um público que não se contenta com as imagens de país que teve acesso até então.

São demandas sociais sendo transformadas em sons, batidas, colagens sonoras. Objetos que, simbolicamente, podem dar conta da representação de uma guerra que aparece com mais freqüência através da voz dos que tem poder sobre as instâncias narrativas midiáticas. No entanto, os Rappers subvertem essa lógica usando os mídia a que tem acesso para contar outras “histórias”. O fazem a partir da expressão subjetiva de suas vivências cotidianas, de seu lugar. Com raiva, revolta e dor. Na maioria das vezes com ódio, mas também com alguma alegria e muita vontade de ter mais motivos de ser feliz. A expressão musical do Hip-Hop é um tipo de relato histórico, construído por seus próprios atores, na ótica de quem (sobre)vive no espaço das grandes periferias urbanas. É uma das vozes, entre tantas, da possível na(rra)ção Brasil.

Finalizo com uma imagem-som: Durante a apresentação do grupo Art Popular, na entrega da prêmios anuais da MTV Brasil de 1999 um negro sem camisa, vestindo uma calça de estampa militar entra pela platéia, é o rapper carioca MV Bill, ele usa um microfone como se fosse revólver, saca e dispara: “São 500 anos de puro sofrimento, mas não puderam acorrentar nosso pensamento”.

 

 

Referências Bibliográficas:

 

ANDERSON, Benedict. Nação e Consciência Nacional. Série Temas – Estudos Políticos. São Paulo: Ed. Ática, 1989.

ANDRADE, Elaine Nunes. Do movimento negro juvenil a uma proposta multicultural de ensino: reflexões. In: Educação e os afrobrasileiros: trajetórias, identidades e alternativas. Coleção Novos Toques. Salvador, Programa A Cor da Bahia, 1997.

ARAÚJO, Margareth Xavier. Mídia e Identidade. In: Circunavegação – Temas em Comunicação Contemporânea. Salvador: UFBA/Facom, 1997.

BHABHA, Homi K. O Local da Cultura. Trad. Myriam Ávila et al. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1998.

CUNHA, Eneida Leal. Brasil: pós-modernidade radical. Revista Textos de Comunicação e Cultura. nº 31/32. Fase II. Salvador: Facom/UFBA, 1985.

CUNHA, Eneida Leal. Brasil: pós-modernidade radical. Revista Textos de Comunicação e Cultura. nº 31/32. Fase II. Salvador: Facom/UFBA, 1985.

HERSCHMANN, Micael (Org). Abalando os anos 90. Coleção Artemídia. Rio de Janeiro, Ed. Rocco, 1997.

LAVILLE, Christian. A guerra das narrativas: debates e ilusões em torno do ensino de História. Revista Brasileira de História. v.19 n.38. São Paulo, 1999.

LECA, Jean. De que estamos a falar? In: Nações e nacionalismos. Anais; 24. Publicações Dom Quixote: Lisboa, 1998.

PITOMBO, Renata. A moda enquanto manifestação simbólica. In: O sentido e a época. FACOM / UFBA, 1995.

SANSONE, Lívio. O local e o global na afro-Bahia contemporânea. Revista Brasileira de Ciências. São Paulo, outubro de 1995.

WENDEN, Catherine Wihtol. Nação e cidadania, um par de associados-rivais. In: Nações e nacionalismos. Anais; 24. Publicações Dom Quixote: Lisboa, 1998.



[1] Termo presente em vários textos da autoria de Albino RUBIM, da Facom/UFBA.

[2] Entrevista de Milton SANTOS. Revista Caros Amigos, Número 17, Agosto/1998.

[3]Id.,ibid..